11 de dezembro de 2020

Eventos da Adetec sobre empreendedorismo feminino promovem reflexões importantes sobre atuação da mulher

Por Cintia Papile

Bate-papo empreendedora reuniu mulheres de diferentes áreas para falar de suas conquistas e desafios. Live com terapeuta ocupacional abordou também a sobrecarga e saúde da mulher

Novembro é comemorado o mês das mulheres empreendedoras e a Adetec realizou dois eventos online e gratuitos para debater o assunto, enaltecer empreendedoras regionais e incentivar mais mulheres para o universo do empreendedorismo.  

No dia 19, oficialmente o “Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino”, foi realizado “Bate-papo empreendedora: mulheres que transformam”, com quatro participantes, com tempo de experiência e áreas diferentes. Romi Cavalli, empresária há 35 anos no ramo de moda com a Rommy’s Boutique, Maria Carolina Pazini, sócia-proprietária da Agrofértil, no ramo do agronegócio, Maria Carolina Cavalcante e Carolina Prado, fundadoras do Todas por Todas, programa de empreendedorismo social.

As empreendedoras contaram suas trajetórias, conquistas e desafios no mercado. O papo foi intermediado pela assessora de comunicação da Adetec, Cíntia Papile, com participação do Flávio Anequini, gerente da Incubadora de Empresas, gerenciada pela Adetec.

 

Elas estão empreendendo mais

Uma pesquisa recente do Sebrae mostra que a proporção de novos empreendimentos, com menos de 3 anos e meio, é maior entre elas: 48% dos empreendimentos iniciais são comandados por mulheres.

Mas, ainda há o que ser repensado para a atuação feminina. As suas motivações, na maioria dos casos, ainda indicam uma problemática: muitas mulheres empreendem por necessidade ou para sair de quadros de opressão, seja em casa (como em casos de violência doméstica) ou no mercado de trabalho. É neste ponto que o programa Todas por Todas se torna ainda mais importante, pois promove o empoderamento das mulheres na sociedade e uma das vias de atuação é pelo projeto Disk Mulher, que dá visibilidade ao trabalho de mulheres empreendedoras, com a criação de um ebook com nome, serviços ou produtos e contatos delas. “Nós trouxemos uma alternativa para essas empreendedoras, de transformar o que elas fazem. Oferecemos nova publicidade, tentamos trazer aos holofotes. Junto com a Adetec, vamos tentar profissionalizar essas mulheres na área financeira, marketing, com gestão e orientação. Além disso, criamos uma economia colaborativa, porque elas se conectam, se ajudam e consomem produtos ou serviços umas das outras, com incentivo mútuo”, explicam as fundadoras, que são também estudantes de Direito.

O ambiente hostil e as condições inferiores para as mulheres também são motivações para empreender, como insatisfação com lideranças masculinas, falta de equiparação salarial, menos oportunidade de promoção e situações de machismo ou assédio. Cerca de 73% das brasileiras acreditam que as mulheres precisam trabalhar mais para ter as mesmas oportunidades que os homens e 79% querem quebrar essa barreira empreendendo. A Maria Carolina Pazini, além de empreendedora, é engenheira agrônoma, trabalhou em grandes empresas e morou na Irlanda. “O agronegócio é uma área muito machista e eu sempre me aventurei também. Em diversas situações, trabalhava com auditoria e consultoria, muitas vezes eu chegava e o cliente questionava terem mandado uma "mulher para auditar". Mas sempre persisti, e a gente tem que se impor e ocupar nosso lugar”, afirma.

Mesmo empreendendo, as mulheres encontram mais obstáculos, por exemplo, apesar de terem nível de escolaridade 16% maior e taxas de inadimplência mais baixas que os homens, a taxa de juros por empréstimo é 3,5% superior para mulheres, considerando pequenos empreendimentos, segundo o Sebrae. E, por ter sido um meio dominado por homens durante muito tempo, elas também sofrem mais para conseguir formar um networking sólido.

Ainda assim, um estudo americano aponta que empresas fundadas por mulheres registram desempenho 63% melhor. Neste aspecto, Romi traz diversas dicas para iniciar e se manter no mercado por tanto tempo. “Coragem é primordial. Dar o primeiro passo e falar "vou por aqui", certeza de tudo ninguém tem. Mas você vai ponderando todos os pontos. Segunda coisa é ver se você domina o que faz, você sabe onde você está entrando? Se domina, tem coragem, vai e faz. Domina o espaço que está, seja na internet ou físico. Domina e segura como se fosse um cavalo que está doido para correr e empinar. Lá na frente terá uma porteira aberta, e às vezes tem alguma que tranca. Mas você consegue passar. Avalie cada passo, calcule, se errar, arruma e acerta depois”, declara a empresária.

 

Guerreiras sim, mas humanas também

Uma semana depois, no dia 26, a Adetec realizou uma live no Instagram intitulada “Quem é essa mulher?”, que abordou sobre os diversos papéis da mulher na sociedade, a importância de mais mulheres empreenderem e ocuparem cargos de liderança e a sobrecarga de afazeres que impactam na saúde física e mental da mulher, com orientações profissionais e dicas para melhorar esse quadro. O papo foi entre a assessora de comunicação da Adetec, Cíntia Papile, e a terapeuta ocupacional, pedagoga, professora universitária e empreendedora, Brigida Anequini.

Muitas empreendedoras se tornaram chefes de domicílio – esse número passou de 38% a 45% -, ou seja, elas assumiram uma posição de protagonismo quanto à renda da casa. E aí reside outro desafio: manter uma relação saudável da família versus o negócio. Muitas vezes, elas são cobradas para dar mais atenção aos assuntos familiares e acabam se vendo no papel de quem deve dar conta de tudo. E essa sobrecarga ficou ainda mais evidente na pandemia.

Um ponto levantado durante a live foi de que, mesmo quando o homem faz as tarefas em casa, muitas vezes a mulher quem tem que planejar, organizar e tomar as decisões, ou seja, coordenar tudo. Então, a mulher fica com os dois lados: o operacional e o estratégico; esse esforço cognitivo-emocional aumenta o cansaço dessas mulheres. Neste caso, a terapeuta ocupacional alerta que é um ponto a ser repensado por todos, os homens devem olhar para a casa como uma empresa e fazerem parte do planejamento e as mulheres precisam delegar mais os afazeres. Outra questão é a criação das crianças, com o estímulo com as brincadeiras de todos os tipos e a divisão igual de afazeres entre filhos e filhas.

Ser vista sempre como “guerreira” pode representar ainda um risco à saúde física e mental da mulher, que deixa de se cuidar ou de arriscar o diferente. “Mulherada, não tenham medo de empreender. Criem algo que será um diferencial. Nem sempre será legal e tranquilo, é preciso buscar capacitação e ralar muito, por isso temos que ter um apoio para aguentar. E não esqueçam da atividade física, mesmo que seja uma caminhada, zelem pelo próprio corpo, estruturem uma rotina para dormir direito, comer no local e horário apropriados e respeitem o seu ritmo, algumas pessoas são mais rápidas e outras mais lentas, e está tudo bem”, indica Brigida.

A Adetec tem programas de apoio aos empreendedores e empreendedoras e continuará promovendo eventos e cursos que incentivem e promovam o equilíbrio e equidade no mercado de trabalho. Os eventos já realizados podem ser conferidos no canal do Youtube, no Instagram e Facebook da Adetec.

 

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