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Os Novos Espaços de Trabalho – Do Home Office ao Coworking

redação e compilação

Valter Luiz Dal Bello

Gerente de Inovação da ADETEC

 

Existe um senso comum quanto ao fato de que a competitividade dependerá, cada vez mais, da capacidade inovadora e de agregação de tecnologia na base produtiva dos negócios em geral. Por isto os modelos de desenvolvimento socioeconômico têm contemplado, cada vez mais, ações de fomento ao empreendedorismo, à inovação e ao fortalecimento dos setores tecnológicos.

 

É essencial definir bem as políticas públicas voltadas para a ciência e tecnologia, adotando-se ações estratégicas para seu desenvolvimento no setor público e no setor privado. Elas precisam ganhar prioridade sobre outras iniciativas do setor econômico e ocupar mais espaço na sociedade produtiva.

 

Para além disso, é necessário acelerar o desenvolvimento do ecossistema de startups,  atraindo e desenvolvendo negócios com alto potencial de crescimento, fomentando o empreendedorismo tecnológico e mantendo o capital humano em sua região de origem.

 

Com a recente regulamentação sobre o teletrabalho, dando maior conforto legal à medida, muitos negócios têm migrado suas atividades administrativas e operacionais para o sistema home office, com escritórios nas residências de seus contratados, funcionários celetistas ou prestadores terceirizados de serviços.

 

Além do aspecto legal, fazem parte dessa solução, também, a expansão das redes de comunicação e a popularização dos dispositivos portáteis como os computadores e os smartphones, que tornaram este tipo de trabalho acessível de qualquer lugar onde exista um sinal de internet disponível, possibilitando, provavelmente com menor custo, maior conforto e bom nível centralizado de controle.

 

Para compor esse ecossistema, a ADETEC – Agência de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de Lins e Região,  estuda viabilizar um espaço de COWORKING para se somar aos esforços de outros projetos já existentes na iniciativa privada, no poder público e na própria ADETEC, principalmente a Incubadora de Empresas de Lins e o Centro de Tecnologia e Inovação.

 

O COWORKING surgiu, historicamente, da necessidade de espaços compartilhados para otimização de recursos, mas acabou se tornando um ambiente colaborativo.

 

É um local onde indivíduos ou grupos podem compartilhar o mesmo ambiente sem interferir nas atividades alheias. Cada profissional trabalha em busca de seus respectivos resultados e o local de trabalho deve ter condições para lhe proporcionar isto, no mínimo.

 

Este mínimo é o que os profissionais procuram, mas as pessoas precisam de muito mais. Por isto, o Coworking não pode ser apenas um lugar para trabalhar e economizar no aluguel de uma sala comercial. Ele deve ir além do espaço e do ambiente favorável ao networking; ele deve proporcionar diferentes atividades e experiências  para seus clientes, os chamados Coworkers.

 

Alguns espaços já criados pelo mundo estão sempre inovando e buscando novas práticas para inserir no ambiente de quem opta por um estilo mais leve e saudável de vida, que acaba sendo o público natural do negócio ao final de algum tempo. Qualquer pessoa pode utilizar um espaço deste tipo, mas ele acaba sendo ocupado por um público de perfil mais jovem, por empreendimentos nascentes e para discussão de ideias inovadoras. Desse público é que nascem as startups.

 

O espaço tem que ser pensado para os vários perfis de usuário, desenvolvendo ambientes e atividades que contemplem seus interesses, tais como: Área de convivência, Serviços de internet, Mesas e cadeiras ergonômicas, Ambiente climatizado, Serviços de limpeza, Acesso, Sistema de telefonia, Serviços de impressão, Salas de reuniões e/ou privativas, Serviços de Conveniência, Serviços de recepção, Assessoria operacional, Mesa compartilhada, Mesa exclusiva ...

 

Além do escritório básico tem que ser pensada, também, uma agenda de atividades que possa inspirar todos que participam do ambiente, clientes ou funcionários, como por exemplo campeonatos de jogos, oficinas de jardinagem, Cultivo de hortas, Sessões de relaxamento, Palestras de motivação, Presença de monitores, Circulação de empresários conhecidos e de investidores ...

 

Além do menor custo, pois compartilhado, o Espaço de Coworking propicia contato com vários mundos, mais felicidade no trabalho, mais networking, mais produtividade e mais aprendizado, conforme ilustra o quadro seguinte.

 

 

É primordial que Lins se preocupe com as possibilidades de ampliar sua participação no setor de Tecnologia da Informação, do qual o Espaço de Coworking é ferramenta eficaz dentro do ecossistema, principalmente no incentivo ao nascimento e ao desenvolvimento de empreendimentos tecnológicos.

 

 

Sala de Coworking da Fundação Inova Prudente, do Governo Municipal de Presidente Prudente

 

CONFIGURAÇÃO DO SETOR DE COWORKING

 

Coworking no Mundo

 

Em dezembro de 2017, a Conferência Global de Confraternização – GCUC , uma organização de iniciativa norte americana que produz uma série de eventos de Coworking nos EUA, divulgou sua previsão da expansão dos espaços de Coworking no mundo, projetando um crescimento rápido e contínuo nos próximos 5 anos.

 

Embora o estudo seja americano, a característica do Grupo empresta-lhe uma perspectiva global. O resumo da previsão mostra um crescimento médio de 16% ao ano, entre 2017 e 2022, crescendo de 14.411 espaços para pouco mais de 30.000.

 

Coworking no Brasil

 

A modalidade tem crescido em todo o mundo e no Brasil a situação não é diferente. Um levantamento feito pelo Coworking Brasil, uma associação de empresas do setor, detectou 1.194 unidades até março de 2018, tendo crescido mais de 400% desde 2015.

 

O estudo mostra que, depois do expressivo aumento em 2017, quando cresceu 114%, em 2018 o mercado de Coworking começou a se organizar para continuar evoluindo de forma mais sustentável.

 

O número final encontrado, comparativamente ao americano que já é bem mais antigo, permite a suposição de que a definição brasileira é mais elástica, permitindo inclusão de pontos não tão bem caracterizados.

 

A distribuição dos pontos pelo Brasil destaca o Estado de São Paulo com 465 espaços físicos, com 193 deles no interior. Na região de Lins, inclusive nos centros maiores como Bauru e Marília, eles não foram detectados pelo censo de março do ano passado.

 

 

 

 

Em sua conclusão geral, o Coworking Brasil destacou que a taxa de crescimento tende a cair um pouco, mas continua acelerada.

 

No contexto físico e financeiro do setor, pode-se destacar da coleta de dados a queda da rentabilidade no último ano e a baixa atuação no mercado de Tecnologia da Informação. Apesar de, na pesquisa, os empresários pontuarem mais o aspecto multidisciplinar de seus negócios, as visitas realizadas pela equipe da ADETEC mostraram um quadro bem mais favorável à área de tecnologia em geral e do Setor de TI no particular.